Cancro do Cólon e do Recto
Data de Publicação: 05-AUG-2009 03:46 PM

Cancro do Cólon e do Recto

O cancro do cólon e recto (CCR) é uma das principais causas de mortalidade por cancro nos países desenvolvidos, verificando-se nos últimos anos um aumento da incidência, afectando igualmente homens e mulheres. O cancro do cólon é duas vezes e meia mais frequente que o cancro do recto e conjuntamente representam um dos tumores malignos de maior incidência na Região Norte de Portugal, juntamente com estômago e traqueia, brônquios e pulmões (nos dois sexos) e mama feminina e próstata.

Tendo em conta que o CCR tem uma evolução lenta, desde o aparecimento da doença até à transformação em cancro, que a redução da mortalidade e aumento da sobrevivência está directamente relacionada com o estadio da doença no momento do diagnóstico, o rastreio organizado de base populacional permitiria a detecção não só de lesões pré-malignas, susceptíveis de serem removidas, como também de lesões malignas precoces, passíveis de tratamento, com consequente redução da mortalidade específica e, eventualmente, diminuição da incidência, desde que sejam garantidas elevadas taxas de adesão ao rastreio.

O teste de rastreio ideal não deve ser invasivo, deve ser aceite pela população, simples de aplicar, com taxas de sensibilidade e especificidade altas e deve ser efectivo na redução da morbilidade e mortalidade da doença que se pretende evitar e com custos comportáveis pela sociedade. Os inconvenientes de um rastreio organizado de base populacional devem também ser acautelados. Trata-se de convidar uma população assintomática que espontaneamente não pediu cuidados sendo obrigatório a garantia de uma excelente relação eficácia dos testes versus segurança dos mesmos.

Actualmente o método de rastreio não invasivo mais utilizado é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Vários estudos controlados e randomizados mostraram que a pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF), usando o teste do guaiaco, com duas colheitas em cada uma das 3 amostras consecutivas, anualmente, está indicada em programas de rastreio, devendo sempre que positiva ser seguida de colonoscopia total. A avaliação de programas de rastreio com recurso à PSOF usando o teste de guaiaco evidencia uma diminuição da mortalidade por cancro do cólon e recto. Contudo, os estudos referem taxas elevadas de falsos negativos e de falsos positivos com este teste, condicionando a sua utilização em teste de rastreio generalizado, sendo importante uma melhoria da sensibilidade e especificidade do teste utilizado.

Estudos mais recentes mostram que os testes imunoquímicos de PSOF baseados na detecção de hemoglobina humana nas fezes apresentam uma melhoria das taxas da sensibilidade e poderão substituir os testes de guaiaco, com a vantagem de não exigirem dieta específica, evitando falsos positivos causados por sangue animal ou alguns alimentos e exigindo menos colheitas de fezes para a realização do teste. No entanto, o seu custo pode limitar a sua utilização em programas de rastreio. A colonoscopia é mais sensível, é considerada como exame de diagnóstico e não de rastreio, tem a desvantagem de ser pouco aceite pela população, requer técnicos bem treinados para uma boa execução, ser mais exigente no que respeita às instalações e equipamentos necessários, tem taxas elevadas de complicações (hemorragias e perfurações) e apresenta elevados custos.

O Departamento de Estudos e Planeamento desta Administração Regional de Saúde realizou um estudo custo efectividade a fim de comparar 4 estratégias passíveis de serem utilizadas no rastreio do CCR, numa coorte teórica de 100.000 habitantes sem factores de risco conhecidos, assintomáticos, com idades compreendidas entre os 50 e 74 anos, durante 10 anos e cujo indicador de resultado utilizado seria o número de casos de doença detectados (pólipos e cancros do cólon e recto) na população rastreada. Neste trabalho e em qualquer dos cenários o rastreio com recurso à utilização de testes de pesquisa de sangue oculto nas fezes apresenta sempre menos complicações do que a utilização de colonoscopias como teste de rastreio inicial e a utilização do teste de PSOF recorrendo ao guaiaco tem sempre um custo global mais baixo do que qualquer outro exame de rastreio. Contudo o número de casos detectados seria sempre mais elevado no programa de rastreio com utilização anual do teste imunoquímico durante 10 anos seguido do programa com colonoscopia de 5 em 5 anos. Em qualquer cenário o programa de rastreio com a utilização de testes imunoquímicos apresenta sempre um custo / caso detectado mais favorável.




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